O Brasil tá na moda?
- Nayara Ribeiro

- 15 de mar.
- 4 min de leitura
eleito o destino de 2026, o país ganha destaque nas mídias sociais, na moda e no cinema, indicando que o tapete vermelho agora é verde&amarelo.

O Palco do Mundo em 2026
Verde, amarelo, sorrisos, festa, tropicalidade e muitos likes: o Brasil está no hype.
Na camisa, a bandeira brasileira; no fone, o samba, o funk, a MPB e a bossa nova; nos pés as havaianas. O Brazilian Core (ou Brazilcore) ganhou as mídias sociais e hoje conquista as avenidas, as passarelas e as telas ao redor do globo.
Na ficção, Farm veste Lily Collins e PatBO veste Ashley Park em Emily in Paris; na vida real, ambas as marcas vestem Beyoncé. Havaianas domina o verão europeu: de Dolce & Gabbana à Paris Fashion Week. Apresentando em janeiro de 2026 uma versão de suas sandálias em parceria com a KidSuper coberta por veludo verde, simulando um campo de futebol.

No turismo, o Brasil foi eleito o ‘Destination of the Year 2026’ pela revista Travel + Leisure. Já no tapete vermelho, Wagner Moura e Fernanda Torres seguem aclamados. Inclusive, nesta quarta-feira, 18 de março, o Rio sedia o Golden Globes Tribute Gala Brazil, no Copacabana Palace, homenageando ícones como Fernanda Montenegro e Antonio Pitanga.
Além de todos esses fatores, o recorde de turistas estrangeiros somado ao retorno triunfal do RioFW em abril, consolida o Brasil como o palco do mundo em 2026. Para entender esse panorama, nossa colaboradora Andressa Amorine fala nahreal sobre a crescente do fenômeno verde&amarelo.
A Modelagem do Agora: Identidade Internacional
O Brasil vive mais um de seus ciclos de projeção internacional, algo que não é novo em sua história, mas que, em 2026, assume contornos particularmente maduros, estratégicos e conscientes.

O país retorna ao centro das atenções globais não como tendência passageira, mas como força cultural consolidada, capaz de traduzir sua identidade em linguagem universal. Moda, cinema, arte e turismo se entrelaçam para reafirmar um Brasil criativo, diverso, elegante e influente.
A estética que, por muito tempo, fora reduzida a recortes tropicais ou sazonais, passa a ser compreendida em sua complexidade, pluralidade e autoria criativa.

O Brasil como estampa no passaporte Global
O interesse global não está apenas nas cores ou no clima, mas na narrativa, no design e no discurso que a moda brasileira apresenta ao mundo. Essa transformação também é percebida fora do país. Para a stylist britânica London Forbes, que atua no mercado europeu e acompanha de perto os movimentos do cenário fashion global, a moda brasileira hoje se apresenta de forma muito mais definida do que em anos anteriores.
Segundo a stylist, a moda do Brasil agora parece mais segura de si; enquanto antes era frequentemente filtrada por estereótipos como moda praia ou Carnaval, hoje existe uma voz autoral nítida, com maior intencionalidade em torno do artesanato, da sustentabilidade, das identidades regionais e da construção de narrativas.
“O Brasil deixou de tentar se encaixar em sistemas ocidentais e passou a refinar sua própria lógica cultural”. London Forbes
Quando questionada sobre os elementos da moda brasileira que mais ressoam com o público internacional, London aponta três aspectos: a confiança cultural, a riqueza material e a energia. A stylist destaca que existe uma naturalidade na forma como o Brasil lida com a sensualidade, a cor, o movimento e a presença, aliadas a uma forte materialidade que envolve texturas, tecidos naturais, técnicas artesanais e padrões não ocidentais.
“Tudo isso é atravessado por uma energia vibrante, que se traduz com força na cultura visual contemporânea, especialmente em um cenário guiado por redes sociais e imagem”, destaca.
O tapete vermelho é verde & amarelo

O cinema acompanha esse movimento com igual potência. Wagner Moura, em um dos pontos mais altos de sua trajetória, coleciona prêmios internacionais em “O Agente Secreto”; o filme, que representa o Brasil no Oscar em 2026, vem sendo amplamente reconhecido pela crítica e público global.
O sucesso reafirma o Brasil como um polo de produção cultural relevante, capaz de oferecer histórias e reflexões densas. O país deixa de ser apenas cenário e se afirma como voz ativa no debate cultural internacional.

Esse fortalecimento simbólico se reflete diretamente no turismo. Em 2026, o crescimento no número de visitantes internacionais revela um novo tipo de interesse: o desejo de vivenciar o Brasil para além do cartão-postal. Moda, arte, gastronomia, música e comportamento passam a ser parte central da experiência turística.
O Brasil volta a ser desejado não apenas como destino, mas como experiência cultural, onde estética e identidade desfilam juntas. É nesse contexto que a volta do Rio Fashion Week, que retorna em 15 a 18 de abril 2026, surge como um dos eventos mais aguardados do calendário brasileiro.
O retorno do Rio Fashion Week
Com o objetivo de fortalecer a moda nacional e ampliar a sua inserção no mercado global, a semana de moda do Rio de Janeiro promete reunir estilistas consagrados, novos talentos, compradores internacionais, jornalistas e influenciadores. A expectativa é que o evento funcione como uma vitrine estratégica da moda brasileira contemporânea: autoral, diversa, sustentável e conectada aos debates globais.

Mais do que apresentar coleções, o RioFW se posiciona como uma plataforma de internacionalização, criando pontes entre criadores brasileiros e o circuito global da moda. Ao escolher o Rio de Janeiro como palco para o calendário da moda brasileira no primeiro semestre de 2026, o Rio Fashion Week reforça o papel da cidade como capital criativa, onde moda, arte, música e estilo de vida se cruzam de forma orgânica e potente.

Por: Andressa Amorine, stylist e multiartista. Formada em Ciências Políticas, encontrou nas artes e na moda seu verdadeiro espaço de expressão.

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