Sucessão criativa domina as passarelas do Rio Fashion Week
Patricia Viera, Isabela Capeto e BlueMan apresentam coleções que florescem através da visão das filhas de seus fundadores.

16.04.26 - Patricia Viera
Patricia Viera abriu o terceiro dia de desfiles do Rio Fashion Week (16/04), evidenciando o poder do couro. Desta vez, a narrativa ganhou camadas de profundidade com a colaboração de sua filha, Andrea Viera Baptista.

Por meio de cores, tecidos e técnicas, a coleção revelou-se como poesia para os olhos, narrando um pouco de sua infância em Petrópolis e apresentando uma amostra de arte que traduz o estilo carioca de ser.
Entre os destaques, a saia de couro pintada à mão chama atenção pela fluidez e pelo recorte que valoriza o corpo feminino com naturalidade.
O desfile ainda contou com momento de homenagem a Vera de Magalhães, mãe de Patricia Viera e figura central na história da marca, celebrando como a matriarca inspirou a coleção de inverno, com trabalhos em couro, referências a Burle Marx e à Igreja da Penha. Reforçando a força da herança familiar na construção da identidade da grife.

Já o trabalho manual presente nas peças evidencia o cuidado detalhado, revelando não apenas beleza, mas a técnica, o tempo e a intenção.
E nahreal? Foi incrível ver uma marca que enaltece mulheres apresentar um verdadeiro espetáculo em forma de desfile, reunindo delicadeza, elegância, dedicação e afeto entre gerações. Um aplauso à Andrea Viera Baptista pela coragem de assumir o legado de sua mãe e conduzir a marca rumo a uma nova fase, sem abrir mão de sua identidade.

Por: Giovanna Batista. Estudante de Design de Moda e ex-bailarina. Se interessa por styling e fotografia. Com forte conexão com a arte, na escrita encontra uma forma de traduzir seus pensamentos.
16.04.26 - Blueman
Encerrando o ciclo do dia 16, temos Blueman. E nahreal? Assistir a esse desfile foi TUDO, menos tedioso.
Sob o comando de Sharon Azulay, filha do fundador David Azulay, a Blueman entra em uma nova fase, apresentando a marca para uma geração que consome moda de forma diferente: mais visual, mais imediata e conectada às narrativas culturais.

De um lado, o clássico; e de outro, o moderno. Ao mesmo tempo em que a marca revisita o biquíni de lacinho, o jeans e as icônicas modelagens, também propõe novas leituras, incorporando elementos contemporâneos em uma estética plural.
A coleção “Rota 72” percorre, simbolicamente, os mais de 11 mil quilômetros do litoral brasileiro filtrados pelo olhar carioca. A garota de Ipanema, Helô Pinheiro, no auge dos seus 82 anos; a inclusão de vendedores de matte e de biquínis, além da "tia" do camarão e o passinho do Jamal: revelando um Brasil múltiplo e real.

Na internet, o desfile dividiu opiniões, tanto pela presença de celebridades e influenciadores quanto pelos segundos de dança na passarela. Mas, ao meu ver, BlueMan teve a coragem de nos apresentar um show, resgatando o espírito das praias: o corpo livre, o improviso e a espontaneidade que sempre definiram o estilo de vida do Rio de Janeiro.
E, independente de críticas, a marca volta a ocupar o centro das conversas. O que me alegrou muito, afinal, mesmo fora das passarelas, o desfile e BlueMan continuaram gerando questionamentos acerca de como a moda brasileira é ou deveria ser.
Por aqui, enxergo mais do que uma marca; vejo um símbolo de uma cultura: aquela que nasce na areia, se transforma em comportamento e, eventualmente, domina as passarelas.

18.04.26 - Isabela Capeto
“Um legado que se renova a cada gesto”, é assim que Dracena define-se.
O desfile cunha a primeira vez de Isabela e Chica Capeto na direção criativa da marca. Apresentando mães e filhas na fila A do evento, com trilha sonora de Alceu Valença e um galpão imerso em rosa, as estilistas prometiam um espetáculo. (E spoiler: elas entregaram.)

A coleção Dracena foi inspirada na planta de silhueta gráfica e folhas alongadas, sendo construída a partir de uma ideia central: a obra só se completa na ação e na interação com o espectador. Aproximando o desfile do neoconcretismo, não como referência estética, mas como princípio, aqui a roupa não se encerra no cabide, mas se ativa no corpo, assim como nas obras de Hélio Oiticica, onde o manifesto só faz sentido se existir espectador.
Dracena apresenta leveza, transparência, fluidez, cores, bordado e movimento, se transformando a cada olhar, revelando o legado que não se preserva intacto, mas que se renova a cada gesto.

E nahreal? Legado foi a palavra do Rio Fashion Week. Bem no dia das mães, sem combinar, elegemos a continuidade como a grande protagonista da passarela carioca.
Patricia Vieira, Blueman e Isabela Capeto são o reflexo da moda: misto de tradição e evolução; filhas que se envolvem, pertencem e continuam.


.png)




Comentários